terça-feira, 3 de abril de 2012

Stress Pós-Traumático


Segundo DSM IV, o stress pós-traumático se caracteriza pelo desenvolvimento  de sintomas após a exposição de um agente estressor  traumático, envolvendo experiência direta de um evento real ou ameaçador como, morte, ferimento, ameaça a própria vida ou ter testemunhado de outra pessoa. A resposta ao evento é medo intenso, impotência, horror, revivência persistente dos eventos traumáticos, esquiva persistente de estímulos associados com o trauma, entre outros.
O Trauma é uma doença que ocupa a terceira causa de mortalidade no Brasil, perdendo somente para câncer e arteroesclerose. Ocupa a primeira posição de causa de mortalidade  na faixa etária do 1° ao 44° anos de vida, terminando com 25 anos de vida produtiva, além de custos inestimáveis envolvidos nessa patologia.


A internação hospitalar, tratamentos invasivos, longo tempo de internação, insegurança em relação a própria saúde e vida podem causar transtornos psiquiátricos e psicológicos como o stress pós-traumático. Os sintomas são fuga das lembranças estressoras, isto é, as situações mais dramáticas são dissociadas (dissociação primária), flashbacks dos eventos estressantes, pesadelos, lembranças intrusivas perturbadoras, alto nível de ansiedade e hipervigilância. As lembranças podem estar fragmentadas em forma de imagens, odores, sons, sensações físicas. Com a elaboração psíquica esses fragmentos podem tomar forma e a pessoa consegue fazer uma narrativa do acontecimento. Esses sintomas podem ocorrer até 1 mês após o evento traumático. Os pacientes podem desenvolver medo de agulhas, medo de realizar exames, a relação com a equipe médica e de enfermagem pode ficar comprometida, assim como, a aderência ao tratamento, pois a pessoa que apresenta o estress pós-traumático pode se afastar de qualquer estímulo que pode desencadear as lembranças traumáticas, isso ocorre como mecanismo de defesa contra a ansiedade que gera tais situações. Esse trauma pode durar meses e até anos após o tratamento. Alguns estudos foram feitos na pediatria de alguns hospitais americanos. As pesquisas mostram que crianças e adolescentes que passaram por tratamentos de câncer, do coração, transplantes, diabetes e imunodeficiência evidenciaram sintomas de estress pós- traumático por muitos anos, mesmo já tendo sido curadas da doença.
O stress pós-traumático pode acarretar em desordens psiquiátricas e psicológicas, como problemas psicossomáticos, distress (estress ruim), sensação de estar doente, mesmo quando os exames não apontam mais a doença, o que afeta significativamente a qualidade de vida das pessoas, pois há um prejuízo na vida emocional e social.
Pode-se falar também do estress pós-traumático não decorrido da internação em si, mas de algum trauma sofrido pela pessoa, como um acidente de trânsito ou doméstico, de violência urbana, e que por essas razões serão atendidas no hospital. É importante ressaltar que nem todas as pessoas que passam por um trauma desenvolverão estress pós-traumático. Sua etiologia é multifatorial, onde fatores sócio-culturais e fatores constitucionais estão envolvidos no desenvolvimento da síndrome, bem como, a magnitude do trauma. Alguns autores afirmam que o surgimento dos sintomas dependem mais da subjetividade da pessoa, isto é, do significado que a pessoa atribui ao evento, do que da severidade do evento em si. Nesse sentido, o serviço de psiquiatria e psicologia auxiliam no diagnóstico e no tratamento de pacientes com comorbidade entre doença clínica e doença psiquiátrica ou problemas psicológicos, bem como auxiliam no entendimento biopsicossocial do paciente e suas doenças.
Para tratar de pessoas que sofrem de stress pós-traumático, uma associação de medidas são necessárias, como terapia psicológica e medicamentosa, abordagens psicoeducativas, terapia de casal ou família- pelo fato de os familiares que encontram-se próximos ao paciente sofrerem muito e apresentarem dificuldades para conversar- terapia de grupo.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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MAIA A. C; MOREIRA S. H; FERNANDES E. Adaptação para Língua Portuguesa do Questionário de Experiências Dissociativas  Peritraumáticas (QEDP) numa amostra de bombeiros. In: Rev Psiq Clín. 2009; 36(1):1-9.
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