Segundo DSM IV, o
stress pós-traumático se caracteriza pelo desenvolvimento de sintomas após a exposição de um agente estressor
traumático, envolvendo experiência
direta de um evento real ou ameaçador como, morte, ferimento, ameaça a própria
vida ou ter testemunhado de outra pessoa. A resposta ao evento é medo intenso,
impotência, horror, revivência persistente dos eventos traumáticos, esquiva
persistente de estímulos associados com o trauma, entre outros.
O Trauma é uma doença
que ocupa a terceira causa de mortalidade no Brasil, perdendo somente para
câncer e arteroesclerose. Ocupa a primeira posição de causa de mortalidade na faixa etária do 1° ao 44° anos de vida,
terminando com 25 anos de vida produtiva, além de custos inestimáveis
envolvidos nessa patologia.
A internação hospitalar,
tratamentos invasivos, longo tempo de internação, insegurança em relação a
própria saúde e vida podem causar transtornos psiquiátricos e psicológicos como
o stress pós-traumático. Os sintomas são fuga das lembranças estressoras, isto
é, as situações mais dramáticas são dissociadas (dissociação primária),
flashbacks dos eventos estressantes, pesadelos, lembranças intrusivas
perturbadoras, alto nível de ansiedade e hipervigilância. As lembranças podem
estar fragmentadas em forma de imagens, odores, sons, sensações físicas. Com a
elaboração psíquica esses fragmentos podem tomar forma e a pessoa consegue
fazer uma narrativa do acontecimento. Esses sintomas podem ocorrer até 1 mês
após o evento traumático. Os pacientes podem desenvolver medo de agulhas, medo
de realizar exames, a relação com a equipe médica e de enfermagem pode ficar
comprometida, assim como, a aderência ao tratamento, pois a pessoa que apresenta
o estress pós-traumático pode se afastar de qualquer estímulo que pode
desencadear as lembranças traumáticas, isso ocorre como mecanismo de defesa
contra a ansiedade que gera tais situações. Esse trauma pode durar meses e até
anos após o tratamento. Alguns estudos foram feitos na pediatria de alguns
hospitais americanos. As pesquisas mostram que crianças e adolescentes que
passaram por tratamentos de câncer, do coração, transplantes, diabetes e
imunodeficiência evidenciaram sintomas de estress pós- traumático por muitos
anos, mesmo já tendo sido curadas da doença.
O stress pós-traumático
pode acarretar em desordens psiquiátricas e psicológicas, como problemas
psicossomáticos, distress (estress ruim), sensação de estar doente, mesmo
quando os exames não apontam mais a doença, o que afeta significativamente a
qualidade de vida das pessoas, pois há um prejuízo na vida emocional e social.
Pode-se falar também do
estress pós-traumático não decorrido da internação em si, mas de algum trauma
sofrido pela pessoa, como um acidente de trânsito ou doméstico, de violência
urbana, e que por essas razões serão atendidas no hospital. É importante
ressaltar que nem todas as pessoas que passam por um trauma desenvolverão estress
pós-traumático. Sua etiologia é multifatorial, onde fatores sócio-culturais e
fatores constitucionais estão envolvidos no desenvolvimento da síndrome, bem
como, a magnitude do trauma. Alguns autores afirmam que o surgimento dos
sintomas dependem mais da subjetividade da pessoa, isto é, do significado que a
pessoa atribui ao evento, do que da severidade do evento em si. Nesse sentido,
o serviço de psiquiatria e psicologia auxiliam no diagnóstico e no tratamento
de pacientes com comorbidade entre doença clínica e doença psiquiátrica ou
problemas psicológicos, bem como auxiliam no entendimento biopsicossocial do
paciente e suas doenças.
Para tratar de pessoas
que sofrem de stress pós-traumático, uma associação de medidas são necessárias,
como terapia psicológica e medicamentosa, abordagens psicoeducativas, terapia
de casal ou família- pelo fato de os familiares que encontram-se próximos ao
paciente sofrerem muito e apresentarem dificuldades para conversar- terapia de
grupo.
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